Juliana Querino

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Qual a sua dor? – Ju Querino

Qual a sua dor?
O que seu corpo e mente realmente sentem?
Não tenha medo, mostre.

O meu corpo doí,
fica dificil não transparecer
as vezes me percebo doente
doente pelo peso nas costas
pelo mundo que carrego nos ombros

Tantos e tantos medos me fazem travar,
Enfrentar é dificil, é cansativo
pesado.

Fácil seria me entregar as dores que levo comigo
mas sabe como é?
Não sou de me entregar

Aprendi que choro é fraqueza
que o mundo não entende minha dor
Que ansiedade é tolice
se falar de depressão então
Existe?

Tantas dores tenho em mim, que perco as contas
Elas se acumularam conforme os anos passaram
Eu não me permitia falar delas

Os ossos doem
os pés não caminham
os sonhos param
e o mundo continua…

Rindo

Que importância tem a dor, comparada a felicidade irreal?

Eu estava colocando a dor, a tristeza, o medo, a raiva, o desamor, e tantos outros
numa prateleira bem encaixadinhos no meu coração.

Como se todo esse tempo eu estivesse dormindo,
O mundo era dos outros e a dor era minha
tudo sem sentido
eu não sabia onde me encaixava

E o coração consumia essas dores

Dor intensa, que machuca
dia após dia
ela aumenta
se não falar dela
se não brigar com ela
Fica insuportável.

Nós somos acumuladores de sentimentos ruins
isso é terrivelmente doloroso e um tanto quanto mórbido

De repente

Me vi explodindo,
já não era mais eu que estava ali,
era o mundo que eu pintava cor de rosa, com o lápis dos outros.

É, mas o mundo não é cor de rosa

Hoje isso me afeta de maneira diferente

Elas me fazem ser quem sou.
Mas hoje eu as domino
ou tento
e isso já é um avanço

E quando há dias em que elas estão mais fortes,
mais eu reflito, mais eu falo.

Eu não me calo
Me calar seria uma vitória para as dores impecavelmente desafiadoras

As dores já são menores,
o mundo anda mais colorido.

Sou forte e vuneravel
E deixo vir essa dor,
para curá-la
aos poucos

Devagar
Elas vão se entregando
a pequenês que são
e assim
me liberto
e por fim me curo
Um dia quem sabe.

Bom, vou indo e sendo.
Eu tenho ainda muitos kms a percorrer antes de dormir…

Bru Medeiros