Eu quero poder ser fraca e forte quando eu quiser

Eu quero poder ser fraca e forte quando eu quiser

A sociedade me afeta de uma maneira que as vezes tenho até vergonha e de vez enquanto — mais vezes que posso contar — quero mandar um FODA-SE, talvez dois ou três…

A sociedade exige que eu seja forte, determina que eu devo ser mais do que eu já sou, decreta que eu seja PERFEITA.

Ela ordena um equilíbrio que não posso dar a ela.

A sociedade dúvida de mim, mas eu me agarro as minhas lutas para conquistar tudo que quero.

Todo dia quando eu acordo eu gostaria de dizer: — Você duvida? Mas eu posso, eu vou conseguir!

A sociedade ri de mim toda vez que choro, por que choro é fraqueza e mulher fraca é ruim pra sociedade.

Como definiram que choro é fraqueza?

Eu choro ‘adoidadamente’, podem me falar que não tenho o direito de chorar e que preciso ser forte…

Eu sei que sou forte, não é meu choro que define isso.

Meu choro de tristeza, se deve ao fato de eu necessitar expor a minha dor, por mais que esteja sofrendo sozinha, em um canto do meu quarto — por que com essa sociedade que não julga né?!

Eu preciso colocar pra fora, se não, não conseguirei seguir em frente.

Meu choro de alegria é uma dádiva, vem junto de um sorriso enorme, pleno, como se o coração vibrasse em batimentos mais rápidos — tem vezes que esse choro vem junto da “dancinha da felicidade”.

E bom, felicidade para nós meras prisioneiras, é ruim pros ‘negócios’.

A sociedade é como um vizinha enxerida, aquela fofoqueira, que vê tudo, quer dar pitaco em tudo e se considera a ‘última bolacha do pacote’— mas ela não julga, claro que não?!

A sociedade dita regras absurdas e se não obedecê-las, você virou a ovelha negra da família e só conta ‘mimimi’.

Eu escolho quem você vai namorar e com quem você vai se relacionar.

Eu te intimo a casar até os 30.

Eu não te dou alternativa, você tem que ter filhos.

Você não tem opção, você deve ter o corpo padrão que eu escolher.

Você pensa e age como eu bem entender.

Você veste-se apenas como eu quero.

Você deve a mim tudo que você tem.

Você me deve obediência incondicional.

Você é quem eu quiser que seja.

A cor da sua pele, identidade e orientação sexual, religião e o tamanho da calça que você veste sou eu quem escolho.

A minha vontade é a sua vontade e não o contrário.

Livre-arbítrio? O que é isso? Eu comando você a ‘meu bel-prazer’ e ai de você se fizer ‘birra’.”

Fotografia e texto: Bru Medeiros

Foto para o projeto “Corpo Que Sente” com a modelo Carol Savorini

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