Você se ama de verdade?

Você se ama de verdade?

“Carol, 5 anos, estava assistindo Frozen, de repente, deu pause, se debruçou sobre a cama até alcançar a visão do espelho, encarou-se apaixonadamente e disse: LINDINHA. Em seguida, retornou para a posição anterior e continuou a assistir. Aprendam, migas!”

Vi esse pequeno fato lindeza em um post de um colega meu e comecei a pensar… Por que nós manas já adultas (muitas vezes quando crianças também, mas isso é papo pra outro momento) mudamos tanto esse lance de auto estima, por conceitos e padrões que a ‘sociedade’ impõe?

Na maioria dos casos quem vem me procurar é por sentir que precisa pensar mais em si mesma e não nos outros, para esquecer seus problemas com auto critica com seu corpo e seus pensamentos – sim, o papo de auto conhecimento e auto estima é o ponto chave das nossas conversas, conversas essas que faço questão de ter, por que ó vou te dizer, se engana quem pensa que a fotografia é apenas fotos, fotografia é mais um instrumento e resultado. Fotografia é um mundo de possibilidades, e quando unidas a uma boa conversa de amor por si, tem o poder de melhorar a vida das pessoas.

E ninguém disse que isso é fácil, essa suposta facilidade de que você precisa “amar seu corpo”, que não existe padrão e coisa e tal. Por exemplo, para um alcoólatra se livrar do vicio ele precisa se livrar de todas as possibilidades de ver bebidas; mas, e quando você vive constantemente com a visão de mulheres magérrimas – e brancas -, dietas malucas e olhares de desaprovação sobre seu corpo? Essas coisas têm um poder absurdo, mais do que gostaríamos de admitir.

Proponho algo então, que tal se deixarmos essa pressão de necessitarmos amarmos nosso corpo e amar ele do jeito que é, fazer as pazes com ele, vamos? Deixar de lado essa incansável baixa estima de dias que “não foi na academia” e que “comeu aquele hamburgão maravilhoso de se lambuzar”? Perceber que não é sobre o corpo que queres ter e sim o corpo que tens, e se amar seja do jeito que for.

Não há problema com seu corpo, veja bem, não é sobre o corpo que “deverias ter” aos olhos de quem diz “ela está gorda”, “ela está acima do peso”, mas sim perceber que quando ficas triste com seu corpo, deverias se perguntar, o que há de errado com meu corpo? E compreender, que nada tem haver com seu corpo, mas sim com toda a bagagem que vem com ele, a discriminação, os olhares de outras pessoas em relação ao seu corpo e padrões, afinal… são tantos padrões.

Sob essa perspectiva fica menos dolorosa a vida, sentir que o que os outros enxergam como gordura – muitas vezes até nós mesmas – são compreensões erradas e conceitos que a sociedade vive insistindo em enfiar goela abaixo e que é ultrapassado e discriminatório.

Por mais que isso seja difícil de visualizar, isso pode ser alterado – de certa forma já está bem melhor – e não é culpa do seu corpo.

Há coisas que podemos fazer a nós mesmas, mas há coisas que uma ajudinha vem a calhar, viu? Passei boa parte da minha vida com vergonha do meu corpo – não estou dizendo que o que passei é pior que outras mulheres, cada um sabe a sua história, seus medos e receios e não digo também que amo meu corpo todos os dias, isso é bem difícil, se conheces alguém que se ama todos os dias me avisa que quero a fórmula, a vida seria bem menos chata e viveríamos mais.

Esclarecendo isso, passei grande parte da minha vida com vergonha do meu corpo, vários “efeitos safonas”, vários olhares ” ó tás gorda hein, se não se cuidar vai ficar mais”, “tás gordinha né?”, não que isso seja culpa dessas pessoas, é simplesmente o que aprenderam. Passei a me amar mais quando me deixei perceber, o quanto meu namorado sente de atração pelo meu corpo, me deixar vunerável, deixar as pessoas me sentirem atraentes, quando antigamente eu me escondia tanto, descobri minha beleza pelos olhares desse meu relacionamento atual e vou ti dizer aumentou meu amor por mim. Isso me levou a perceber-me mais, perceber meu corpo quando antes eu era incapaz de vê-lo. E por que não deixarmos as pessoas nos verem quem somos? Seja em amizades, amizades coloridas :), casamentos…

Cada vez que me sinto impossibilitada de me amar, percebo o quanto cai na tentação de pensar em valores que não são meus, conceitos discriminatórios de como é o corpo ideal e que ‘alguém’ está lucrando com a minha dor e meus receios, por exemplo, se pensar a ideia de corpos padronizados temos: revistas, dietas, roupas, remédios e muitos. Somos pessoas ansiosas, com problemas de falta de realização, infelizes, se amarmos nós mesmas e nossos corpos é fato que quem lucra com nossas dores, lucra menos.

Sabe, eu passei a me amar mais quando percebi o quanto me senti através das fotos que uma amiga minha fez de mim, me enxerguei mais, eu floresci de um jeito que nunca tinha me florescido e quando vejo que minhas clientes se sentiram, se entregaram e perceberam que são lindas, quando vêem as fotos que fiz delas e principalmente pelas nossas conversas, meu coração se enche de alegria, estou nessa profissão, por querer ajudar as pessoas e se eu puder ajudar com textos, fotos, conversas, e muita conexão, eu fico feliz, minha confiança aumenta e minha auto estima consequentemente aumenta também. Faça algo que faz teu coração transbordar, isso te faz aumentar sua auto confiança e a vida fica mais iluminada.

Esse texto quem sabe ajude algumas mulheres, para outras será mais difícil, mas o que quero mostrar é que não odeie seu corpo, nem a si mesma, a culpa desses padrões não é nossa nem de nossos corpos e haverão dias e dias. Não tem fórmula perfeita de amar todos os dias nós mesmas, somente em nos questionarmos quanto a isso já teremos dado um passo na direção do bem viver. Nosso corpo é nosso e de mais ninguém, seja como for, sem academia ou com academia, com dietas ou não, faça o que sentes que faz bem para você.

Se ame, seja como for.

Você precisa se sentir viva e viver.

Viva.

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