No espelho, me enxergo.

No espelho, me enxergo.

Nua. Crua. Meus olhos caminham pelo meu corpo. Pés. Pernas. Coxas. um stop de eternidade nas coxas. Não me reconheço. Bunda. Estrias. Celulites, uma pausa em instantes de desamor. ‘Papada’, nunca gostei dela. Depois da auto aceitação passar despercebida. O resquício ficou ali, na barriga.

Busco algo para vestir. Coloco a calcinha, subo ela pra cima. Piloto automático. Esconder a barriga. Visto o sutiã. Desconfortável. Apertado. Desconexo. No auge dos meus 27 anos. Não lembro quando um sutiã coube perfeitamente, nos seios, costas e ombros. Axilas. Depiladas. Claro. Me fizeram acreditar: - Ui que horrível, pêlos. Nojento.
O que vestir? me pergunto. A impressão que tenho é que o guarda roupa fala comigo: - Aquela calça que faz tempo que você não usa, lembras? Aceito a dica. Não cabe. Antes ficava larga. Já me sinto péssima. Antes já me sentia péssima. 

Meu eu, não se aceita. Não sou feliz? ou sou? Dia sim. Dia não. Me contento com a unica calça que serve. Com aquela preta. Com aquela blusa cinza. Cor nem pensar. O Colorido. O vestido. A saia. A leveza. Colorido para mim é isso. Sou eu. Nos meus bons dias. 

Olhar perdido. Devaneios. Só o que falta. Olhar a mulher nos olhos. Receio. Auto julgamento. Me olho? Me mostro? Me revelo para mim mesma? Dois par de olhos se encaram. Confusão. Olhos marejados. Olheiras escuras. Medo. Percebo olhos me encarando. Me vejo neles. Me Descubro.
SORRIO. Sorriso pequeno, tímido. Me abraço. Percebo o olhar. Olhos vermelhos. Olhos. Sorriem. Boca. Dentes surgindo. De orelha a orelha. Lembra daquela fagulha de auto aceitação? SUFICIENTE. Para crescer o amor. Amor perdido. Amor que havia virado sombra. 

Me encaro, me olho. Sorrio, me olho. SORRIO. Tatuagens. estrias, peitos caídos. Unhas por fazer. Me abraço novamente. Amo demais essa sensação. Vou me abraçando aos poucos sentido a pele, a textura. Sorrio. Choro. desta vez? choro de felicidade. De me amar do jeito que sou. Naturalmente eu.

Logo após esse momento. Esculto duas vozes: uma vindo de dentro de mim. Você se ama. Você se aceita. Você se permite. A outra voz, baixinha vem chegando de mansinho no meu ouvido. Você é linda. Como você é linda. Reconheço. é meu amor próprio. Se aprochegue por favor. E fique, pelo menos o suficiente para termos um caso de amor e volte, sempre que eu insistir em não me amar como sou.

Texto: Bru Medeiros
Dessa vez a fotografia é da Giu (gratidão demais ❤) aah e sou eu na foto. 

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